Vaga-lumes
“O que será que determina a aparição de vaga-lumes?”, alguém me perguntou outro dia. Eu não sabia responder, é claro. Eu só sabia que vaga-lume é uma coisa tão fantástica que não dá pra não olhar. Não dá pra não ficar quietinho, atento, esperando ele piscar de novo, tentando adivinhar onde ele vai aparecer novamente. Será que ele vem em linha reta, com algum propósito, ou vem só vagalumeando por aí, deliciado da sua fosforescência tão rara entre os seres vivos?
Vaga-lume é coisa que todo mundo sabe o que é, mas quem já viu de perto? Quem já parou espantado diante de um brilhozinho no meio do mato que não é pisca-pisca de natal (este pobre representante do vaga-lume nas cidades), que não uma luz de lanterna ou de poste, que é única, uma luzinha muito tênue, viva, pulsando e pulsando...
Hoje em dia vaga-lume se conhece de livros infantis, da televisão, de ouvir falar, de infância na fazenda, no máximo. Sorte de quem teve infância na fazenda.
Quem é que pára para ver vaga-lume? As pessoas andam tão sérias que parar pra ver vaga-lume parece coisa de maluco. E por que eles aparecem tão pouco? Fico imaginando se eles aparecem apenas pra quem quer ver.
Naquele dia vi sim vaga-lumes, até pensei que estava vendo coisas, por ter corrido durante os últimos 20 minutos depois de meses (anos) de sedentarismo, e talvez estivesse apenas vendo pontinhos brilhantes devido ao esforço. Mas não. Eram vaga-lumes de verdade, como aqueles da infância, verdinhos, piscantes. Eu parei para vê-los. E os passantes me olhavam espantados.
